Em Curitiba (PR), 2º Encontro Brasileiro de RH e Segurança Florestal reuniu mais de 180 profissionais para discutir a importância da gestão inteligente de pessoas para a redução de riscos no setor florestal

“Ter conhecimento sobre o real perfil das atividades da empresa e encontrar a pessoa correta para cada cargo – ou seja, ter ‘a pessoa certa no lugar certo’ – é agir com ética e responsabilidade, sendo o primeiro passo para o sucesso de uma organização e bem-estar geral das pessoas. A partir desta relação bem ajustada, tudo fica mais fácil, até mesmo a prevenção dos acidentes de trabalho”, declarou Rafael Malinovski, diretor de negócios da Malinovski, ao abrir o 2º Encontro Brasileiro de RH e Segurança Florestal.

O evento, ocorrido em Curitiba (PR), nos dias 25 e 26 de maio, reuniu mais de 180 profissionais altamente qualificados para debater as principais tendências na gestão de recursos humanos voltada à redução de acidentes em toda a cadeia produtiva do setor florestal.

Dividido em quatro blocos temáticos, o Encontro trouxe palestrantes renomados do setor de Recursos Humanos, assim como profissionais especializados de grandes empresas florestais para abordar o tema Segurança.

Capital humano

O primeiro bloco foi focado naw análise de questões relacionadas ao “O Perfil do Profissional Florestal”. Adeíldo Nascimento, consultor da DeO – Desenvolvimento Humano & Organizacional, deu início às discussões com sua palestra sobre “O Desenvolvimento da Consciência para a Felicidade Humana”, na qual falou sobre o efeito do dinheiro nas ações humanas, apresentando casos e experimentos, e sobre a tendência da inclusão da inteligência espiritual no futuro da gestão de recursos humanos. “Dinheiro traz felicidade? Sim, mas só até certo ponto. A cada nova entrada de dinheiro, o input de felicidade é menor. A sociedade coloca um estereótipo de felicidade baseada no dinheiro, mas a atual geração não se satisfaz apenas com isso”, analisou.

Dando continuidade ao bloco, Sérgio Piza, diretor de Gente & Gestão da Klabin, detalhou o perfil do profissional do setor do operador ao diretor, enquanto Sônia Gurgel, da Soul Consultoria, discutiu a influência do ambiente de trabalho para obtenção de resultados sustentados na realização e bem-estar das pessoas. Por fim, Noélly Mercer trouxe sua experiência como gestora do Instituto Sesi de Inovação em Longevidade e Produtividade para discutir a importância desses dois conceitos no trabalho.

O segundo bloco trouxe como tema os “Desafios na Gestão de Pessoas na Atividade Florestal”, traçando a relação entre gestão inteligente e humanizada e a superação de obstáculos próprios ao setor. Com muita energia e experiência, quem abriu o bloco foi Alexander Baer, presidente da Alexander Baer & Associados, que ministrou palestra sobre o gerenciamento de conflitos entre gerações no mercado de trabalho. “A maior estratégia que possa existir se chama gente. Sem os colaboradores adequados, as diversas metodologias de gestão que são quentes no mercado não valem nada. 80% dos problemas de gestão vêm da comunicação entre as pessoas”, frisou.

Em seguida, Cláudio Zini, presidente da Pormade, discorreu sobre a inovação na gestão de pessoas. “Um dos nossos mandamentos é desobedecer para fazer melhor. Envolver os colaboradores na tomada de decisões gera um clima rico em criatividade e oportunidades”, salientou. Luciano Santos, psicólogo e administrador especialista em recrutamento e seleção para atividade florestal, abordou os desafios do sexo feminino no segmento florestal: “Um estereótipo que precisamos quebrar é mulheres e florestas não combinam. Precisamos considerar o perfil, e não o gênero.” Fechando as atividades do primeiro dia, Daviane Chemin, vice-presidente da ABRH Brasil, retomou os principais pontos do dia em sua palestra sobre “O Desafio da Liderança Responsável”.

Segurança em atividades florestais

O segundo dia de palestras do 2º Encontro Brasileiro de RH e Segurança Florestal trouxe um foco maior nos aspectos técnicos da gestão voltada à redução de riscos na cadeia produtiva do setor florestal. O terceiro bloco temático do evento, voltado à “Segurança em Atividades Florestais”, foi iniciado pelo Dr. Ruddy Facci, diretor médico do INSAT, que se ocupou do diagnóstico e prevenção do estresse laboral. “Não se desenvolve o estresse em quem quer, e sim em quem está vulnerável. Ele é uma doença ocupacional, como qualquer acidente de trabalho”, pontificou, apontando os fatores sociais, pessoais e laborais que podem desencadear essa doença.

Sucedendo Facci, o auditor fiscal do MTE Sérgio Barros forneceu suas ponderações sobre a segurança do trabalho na atividade florestal, com foco nas Normas Regulamentadoras (NRs), realizando a análise dos pontos principais de normas como a NR31. Para completar o bloco, o Dr. Luciano Coelho, Juiz do Trabalho em Curitiba destacou o processo de judicialização das doenças ocupacionais, enquanto Daniel Lorenzetto, capitão do corpo de bombeiros da PM do Paraná, explicou as principais técnicas de resgate em acidentes florestais graves. “Os acidentes nesse setor ocorrem principalmente por erro de procedimento, falta de capacitação, falta ou problemas com EPIs, jornadas de trabalho excessivas ou sem descanso adequado, ou causas naturais. É importante agir de forma preventiva, respeitar as normas e consolidar equipes que tenham o conhecimento necessário para agir nessas situações”, ponderou.

O quarto e último ciclo de palestras do evento apresentou “Programas de Segurança em Cases de Empresas Florestais”. Theófilo Militão, coordenador de SSO corporativo – industrial e florestal da Arauco, deu início ao bloco com sua palestra intitulada Gestão de Segurança Orientada à eliminação de Acidentes Graves. “Se achamos que a média atual das empresas do mercado de uma morte a cada cinco anos é aceitável, precisamos rever nossos conceitos”, advertiu.

A fala do gerente de projetos florestais da Klabin, Rogério Salamuni, enfatizou a importância do monitoramento do checklist de máquinas e equipamentos florestais próprios e terceiros. Por sua vez, José de Assis Martins Júnior, gerente de qualidade operacional da Emflora, orientou os participantes quanto à relação entre os sistemas de gestão e os resultados em segurança e saúde do trabalho. O último palestrante do Encontro foi Jorge Luiz Cavassin, gerente de segurança fábrica e florestal da WestRock, que concluiu o evento conferenciando acerca do aprendizado da NR12 e das demais NRs na atividade florestal.

Além das palestras, o 2º Encontro Brasileiro de RH e Segurança Florestal contou com painéis de discussão ao término de cada bloco, em que os palestrantes de cada segmento responderam os questionamentos dos participantes. O sucesso do evento confirma, mais uma vez, a necessidade de olharmos além das árvores quando falamos de florestas: é preciso pensar cuidadosamente no bem-estar das  pessoas.

Escrito por Luciano Simão