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Carvão de eucalipto já era apontado como solução para siderurgia nos anos 1960

O professor titular aposentado da Universidade de Viçosa, Osvaldo Ferreira Valente, defende uma reflexão crítica sobre a necessidade de um ambientalismo de resultados, pautado em fundamentos científicos e ações práticas, em contraposição a abordagens ideológicas e meramente retóricas.

A partir de uma análise técnica e histórica da gestão ambiental no Brasil, ele enfatiza em seu artigo “Por um Ambientalismo de Resultados”, publicado no Boletim Técnico da SIF, a importância do planejamento racional, da aplicação efetiva do Código Florestal de 2012. O professor também critica a predominância de reações emocionais diante de eventos ambientais extremos e aponta para a necessidade de integrar ciência, gestão e sociedade para promover soluções consistentes.

Ele, que fez curso técnico em Mineração e Metalurgia, em 1961, cita um professor (Alberto Teixeira) que já naquela época já defendia que o futuro da siderurgia brasileira deveria estar no uso do carvão vegetal. Nos anos 1960, porém, a produção de carvão vegetal, baseada no Cerrado, era insuficiente. Segundo Valente, seu professor acreditava que a oferta de carvão vegetal poderia ser resolvida por duas razões: a primeira é que o eucalipto, de rápido crescimento, estava sendo introduzido no Brasil, com incentivo da Ferrovia Paulista. A segunda razão era a recém criação, em Viçosa, do curso de Engenharia Florestal, da então Escola Nacional de Florestas.

“No final de minha vida acadêmica eu tive a oportunidade de ajudar na criação da área de energia da madeira do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Viçosa, onde o carvão vegetal era o destaque”, lembra ele.

O professor Valente defende que o carvão vegetal é um recurso renovável e produzido com tecnologias não poluentes. “Além disso, as florestas plantadas para tal são capazes de sequestrar o gás carbônico, neutralizando o processo de produção e uso. O mesmo não acontece com o carvão mineral.”

 

Foto: Aperam BioEnergia

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