A partir de agora, está proibido o uso de madeira nativa extraída de desmatamento por grandes consumidores em Mato Grosso. Na segunda-feira (8), um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) proposto pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e assinado pelo Governo do Estado revogou a instrução normativa estadual 06/2022. O objetivo é zerar o consumo de biomassa nativa e fomentar as florestas plantadas no território mato-grossense.
Fausto Takizawa, presidente da Associação dos Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), avaliou positivamente a nova regra. “Enfim, nosso estado começa a construir uma trajetória clara para o florestamento no Estado, substituindo a biomassa de desmatamento pela biomassa de fonte sustentável, renovável, escalável e perene, como é o caso das florestas plantadas”, afirmou.
Em Mato Grosso, indústrias e grandes consumidores priorizam o eucalipto de reflorestamento como principal insumo para suas caldeiras, devido à eficiência energética e à origem sustentável. No entanto, uma instrução normativa estadual passou a permitir, em 2022, o uso em larga escala de biomassa de desmatamento – prática vedada pelo Código Florestal Brasileiro.
A partir de agora, o Governo assumiu o compromisso de não expedir mais licenças ambientais para novos empreendimentos ou ampliações dos já existentes que dependam de matéria-prima nativa. Caso contrário, haverá sanções administrativas, multas e bloqueio na renovação de licenças.
De acordo com o presidente da Arefloresta, o setor florestal ganha mais transparência e rastreabilidade com a entrada em vigor do TCA. “O governo terá que criar um sistema informatizado para acompanhar se os grandes consumidores estão, de fato, executando seus Planos de Suprimento Sustentável (PSS). Ou seja, se estão investindo em florestas plantadas de forma proporcional ao consumo previsto”, explicou Takizawa.
Conforme o TCA, o governo tem 30 dias para editar o Decreto do Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa (2026/2040) e 120 dias para regulamentar os mecanismos de rastreabilidade.
Desde o ano passado, a Arefloresta tem alertado tanto o setor produtivo como órgãos públicos sobre o déficit de biomassa de eucalipto reflorestado em Mato Grosso. De 2022 a 2025, a participação das florestas plantadas no mercado de biomassa estadual caiu de 59% para 47,5% – num sinal claro do avanço da biomassa de desmatamento.
Atualmente, Mato Grosso tem 165 mil hectares com plantio de árvores. Considerando apenas a demanda gerada pelas indústrias de etanol de milho, essa área deveria alcançar 436 mil ha em 2030.
A madeira em tora de coníferas constitui a base da cadeia produtiva florestal, sendo matéria-prima essencial para diversos segmentos industriais, como construção civil, produção de painéis, móveis e diversos outros produtos de madeira. Sua relevância econômica está diretamente associada ao desempenho desses setores consumidores.
De acordo com o Estudo Setorial 2026 da Abimci, no cenário mundial observa-se que o mercado de toras de coníferas apresenta estabilização na produção global, acompanhada de queda no comércio internacional nos últimos anos. Entre 2019 e 2024, tanto o volume produzido quanto o consumido reduziram levemente (de cerca de 1,2 bilhão m³ para 1,1 bilhão m³), enquanto as exportações globais também caíram de aproximadamente 98,5 milhões m³ para 66,5 milhões m³. Esse movimento reflete mudanças na demanda internacional e possíveis ajustes estruturais no mercado global.
Os Estados Unidos lideram a produção e o consumo mundial, seguidos por países como Rússia e Canadá. Já no comércio internacional, destaca-se a atuação de países exportadores como Nova Zelândia e algumas nações europeias, enquanto a China se mantém como principal importadora global, evidenciando sua forte dependência externa de matéria-prima.
O governo de Mato Grosso assinou o Decreto que aprova o Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa 2026–2040, estratégia que aposta na floresta como fonte de renda e desenvolvimento sustentável. O plano, elaborado pelas secretarias de Meio Ambiente (Sema-MT) e de Desenvolvimento Econômico e Social (Sedec-MT), prevê a expansão da produção de madeira, o uso energético da biomassa e a industrialização da cadeia florestal, buscando diversificar a economia e gerar novas oportunidades no estado.
O presidente Executivo da União Nacional do Etanol de Milho, Guilherme Nolasco, afirmou que o plano vai ao encontro das necessidades do setor, que já vem investindo em floresta plantada. “O setor está migrando a sua dependência de biomassa de supressão para floresta plantada. É uma meta bastante exequível, para que continue atraindo investimentos e dando sustentação para os manejos florestais do setor de base florestal”, disse ele.
O Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa 2026–2040 prevê ações estratégicas para fortalecer o mercado florestal, com plantios comerciais e a ampliação do manejo florestal sustentável.
Crédito de imagem: Christiano Antonucci/SecomMT
O Governo do Paraná irá reformar e ampliar 5º Batalhão de Bombeiro Militar (5º BBM), sediado em Maringá, no Noroeste do estado. A Secretaria de Estado do Planejamento (SEPL), por meio do Paraná Projetos, apresentou o anteprojeto, que forma as bases para ampliação da unidade militar em madeira engenheirada.
Entre as vantagens, o sistema construtivo com madeira engenheirada melhora o desempenho das edificações. Neste processo a madeira é processada, prensada e colada em camadas, criando materiais mais uniformes e resistentes. Isso reduz defeitos naturais e permite fabricar peças maiores e mais estáveis. Os painéis, vigas e pilares são fabricados fora do canteiro de obras e chegam prontos para montagem. Essa inovação torna a construção mais rápida e eficiente e pode reduzir o tempo das obras em até 50%.
O projeto do novo batalhão utiliza o conceito de “pele-dupla” na fachada, que garante um sistema projetado para remover calor, vapores e outras partículas, ficando o espaço menos quente sem a necessidade de aparelhos de ar-condicionado para climatização. A área total construída, considerando o térreo e os três pavimentos, será de 1.895 metros quadrados.
No Chile, o Ministério da Economia, Desenvolvimento e Turismo; o Ministério da Agricultura; o Ministério do Meio Ambiente; a Corporação de Desenvolvimento Produtivo (Corfo); o BancoEstado; a Fundação Chile e a Corporação Chilena da Madeira (Corma) assinaram um acordo de cooperação para promover projetos florestais associados a normas climáticas e financiamento. A iniciativa público-privada busca estabelecer as bases para a participação de pequenos e médios proprietários florestais nos mercados de carbono, facilitando o acesso ao financiamento e o cumprimento das normas climáticas.
O acordo representa um marco para o país ao adotar práticas internacionalmente estabelecidas, nas quais os mercados de carbono se tornaram uma ferramenta fundamental para acelerar a ação climática e mobilizar investimentos privados. No Chile, o setor de créditos de carbono ainda não está totalmente desenvolvido, portanto, a assinatura deste acordo abre um novo capítulo para viabilizar projetos florestais multifuncionais que capturam emissões de carbono, integrando pequenos e médios proprietários de terras a esse mercado com benefícios ambientais.
O ministro da Economia, Desenvolvimento, Turismo e Energia, Álvaro García, elogiou o acordo, afirmando que “ele culmina um extenso diálogo que já durava há muito tempo. Esperamos que marque o início de uma nova etapa para o desenvolvimento florestal no Chile. Nosso país assumiu compromissos climáticos muito ambiciosos, e o setor florestal teve, e deve continuar a ter, um papel fundamental nessa transformação e na promoção do desenvolvimento do país. Além disso, estamos combinando de forma muito eficaz três dimensões-chave para nós: desenvolvimento produtivo, ação climática e fortalecimento territorial.”
Ele enfatizou que esse progresso é uma enorme contribuição para o desenvolvimento sustentável do Chile. “Por um lado, estimula o crescimento do setor florestal, que é fundamental para a economia. Por outro lado, oferece apoio especializado aos pequenos produtores florestais e, portanto, tem um impacto social significativo”.