A relevância estratégica do carvão vegetal na descarbonização da siderurgia brasileira esteve no centro de uma conversa entre especialistas que anteciparam os debates do Carvão Verde Brasil, evento técnico que será realizado paralelamente à Expo Minas Florestal, em Sete Lagoas (MG), no mês de maio.

Durante uma live que está disponível na integra no perfil do Instagram da Malinovski, o CEO da Malinovski e organizador da feira, Ricardo Malinovski, conduziu a discussão com a professora Angélica de Cássia, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), e Leonardo Chagas, da Saint-Gobain, destacando o papel crescente do carvão vegetal em um cenário global de transição por soluções de menor impacto ambiental.

De acordo com Angélica, o carvão vegetal ocupa hoje uma posição estratégica dentro da siderurgia nacional, especialmente diante das metas de descarbonização. O Brasil produz cerca de 6 milhões de toneladas anuais de carvão vegetal, sendo aproximadamente 70% destinadas à produção de ferro-gusa. Outros 20% são consumidos pelas indústrias de silício metálico e ferroligas, enquanto os 10% restantes atendem setores diversos, como o agrícola, químico e cimenteiro.

Um diferencial relevante do modelo brasileiro, segundo a especialista, é a origem da matéria-prima: 100% do carvão vegetal destinado à indústria provém de florestas plantadas, o que confere ao insumo características renováveis e um balanço de carbono significativamente mais favorável quando comparado ao coque, derivado de carvão mineral fóssil. Apesar disso, o coque ainda representa a maior fatia da matriz redutora na siderurgia, sendo majoritariamente importado.

“A substituição do coque pelo carvão vegetal representa não apenas um avanço ambiental, mas também uma oportunidade econômica, com geração de emprego e renda no país”, destacou a professora. Minas Gerais, nesse contexto, lidera a produção nacional, concentrando mais de 70% do volume produzido, além de possuir a maior área de florestas plantadas para esse fim.

Leonardo Chagas complementou a análise trazendo uma perspectiva global. Segundo ele, a produção brasileira de aço, cerca de 30 a 32 milhões de toneladas por ano, é pequena frente ao volume mundial, estimado em 1,5 bilhão de toneladas, com destaque para a China, responsável por aproximadamente 1 bilhão desse total. Dentro desse cenário, o aço produzido com carvão vegetal representa um nicho ainda mais específico, com cerca de 4 a 5 milhões de toneladas.

“Somos um nicho dentro de um nicho. Por isso, o grande desafio é agregar valor a esse produto diferenciado, destacando seus atributos ambientais e sustentáveis para conquistar mercados e melhorar a competitividade”, afirmou.

O Carvão Verde Brasil irá aprofundar essas discussões, reunindo especialistas, empresas e representantes do setor para debater soluções tecnológicas, políticas públicas e oportunidades de mercado ligadas ao uso sustentável do carvão vegetal na indústria.

Foto: Aperam BioEnergia

 

Participe da Expo Minas Florestal
A feira da indústria florestal mineira!
Data: 19 a 21 de maio de 2026
Local: Parque de Exposições de Sete Lagoas – MG
Saiba mais em: www.expominasflorestal.com.br