A Symbiosis é um dos investimentos que fazem parte do Restore Fund da Apple, fundo da empresa de tecnologia que tem como objetivo de expandir soluções naturais para enfrentar as mudanças climáticas. Em parceria com a Goldman Sachs e a Conservação Internacional, o Restore Fund investiu em três projetos de remoção de carbono no Brasil e Paraguai.

Depois de plantar 800 hectares de florestas biodiversificadas há mais de uma década, a Symbiosis planeja plantar mais de um milhão de mudas em mil hectares, apenas em 2024.

Em sua abordagem de engenharia florestal, a Symbiosis visa criar uma floresta produtiva sustentável de alta qualidade enquanto continua combatendo as mudanças climáticas com uma das ferramentas mais importantes para o sequestro de carbono: a própria natureza. “Estamos encontrando o equilíbrio entre a produção de madeira e o estoque de carbono”, explica Alan Batista, chefe financeiro da Symbiosis que estudou engenharia florestal e trabalha na propagação de plantas na indústria de celulose e papel, estratégia de negócios, economia e finanças.

“Na realidade, a biomassa lenhosa cria muito estoque de carbono, e sabemos que temos muito armazenado também no solo”, diz Batista. “Então, precisamos pensar em todo o processo de colheita, do início ao fim do ciclo.” Aqui, aplicamos a gestão contínua da cobertura da floresta, o que significa que faremos o trabalho para sempre. As terras estarão sempre cobertas de árvores.”

Para calcular o carbono armazenado nas terras, a Symbiosis integrou os dados de satélite da Space Intelligence, o conhecimento ecológico e o aprendizado de máquina para criar mapas de cobertura do solo, mudanças na cobertura do solo e mapas de carbono florestal. Os dados de satélite são integrados às leituras do app ForestScanner, que mede a área com o scanner LiDAR no iPhone para determinar a idade e a taxa de crescimento.

Papel e celulose terão R$ 67 bi em aportes”. Este foi o título de reportagem do Jornal Valor Econômico no dia 25 de março. A matéria destaca os investimentos da indústria de base florestal no Brasil, que podem chegar a R$ 67 bilhões até 2028. O estado de Mato Grosso do Sul é o principal destino dos investimentos.

Um dos destaques é a construção da unidade da Arauco em Inocência. Com o Projeto Sucuriú, deve entrar em operação até 2028 a primeira fábrica de celulose da companhia no Brasil. O investimento do grupo chileno é de aproximadamente R$ 3 bilhões, e poderá produzir inicialmente 2,5 milhões de toneladas por ano.

Outro ponto importante que a reportagem mostra é a continuidade dos investimentos após 2028, com previsão de R$ 28 bilhões e 5 milhões de toneladas por ano, após o início da operação da segunda linha em Inocência, em 2032.

Já o Projeto Cerrado da Suzano, em construção no município de Ribas do Rio Pardo/MS, tem previsão de começar a operar em junho. A produção inicial prevista é de 2,55 milhões de toneladas por ano de celulose. O projeto é orçado em R$ 22,2 bilhões, um dos maiores investimentos privados realizados no país.

Outro ponto em destaque na reportagem é que a Eldorado Brasil tem projeto de expansão, o que pode duplicar a capacidade da fábrica já instalada e em funcionamento no município de Três Lagoas/MS.

O conteúdo também comenta sobre a Bracell, com sua megafábrica de celulose em Lençóis Paulista (SP). A empresa é responsável por investir R$ 5 bi em outra fábrica, também no município do interior de São Paulo.

Por último, a reportagem da jornalista Stella Fontes encerra citando os investimentos da Klabin, uma das gigantes mundiais na produção de embalagens de papel e papelão. São R$ 1,6 bilhão para o Projeto Figueira, que inclui uma fábrica de papelão ondulado em Piracicaba/SP. E lembra dos R$ 21,4 bilhões dos projetos Puma I e Puma II, no Paraná.

Qual a relevância do setor de base florestal para o Rio Grande do Sul?

Para o Rio Grande do Sul, o setor de base florestal significa algo em torno de 6% do PIB gaúcho e cerca de 70 mil empregos diretos, de acordo com dados de 2022 do Novo Caged. Então isso é extremamente significativo. A metade sul do Rio Grande do Sul é tida como uma área altamente produtiva para o setor florestal e o plantio de florestas gera empregos e potencializa essa região, que sempre foi tida como a metade pobre do estado. Então, a relevância do setor florestal tem cada vez mais significado para todo o Rio Grande do Sul, mas tem um grande significado para metade sul do Rio Grande do Sul, onde os plantios de eucalipto e acácia são predominantes. Também temos uma produção de pinus significativa, rivalizando com os Campos de Cima da Serra, que a região de São Francisco de Paula, aquelas regiões mais altas do estado, onde temos grandes plantios de pinus. Por outro lado, é importante para o meio ambiente. Na metade sul, por exemplo, 50% das fazendas são preservadas, seja por questões de relevo, por questões de Áreas de Preservação Permanente (APP), ou remanescentes de mata nativa. Então, a parte ambiental é extremamente relevante. Nós podemos considerar que o Rio Grande do Sul tem muito potencial para as atividades florestais.

Qual é o atual cenário para a indústria florestal no estado?

Em franco crescimento. A indústria de celulose vive uma expansão significativa com a CMPC, que no ano passado ampliou a produção em 350 mil toneladas de celulose por ano. Isto requer mais plantios e esses plantios tendem a ocupar espaços na metade sul do estado, onde dispomos de terras suficientes para isso. Lá temos também grande capacidade logística para as florestas que já existem e as que estão sendo implantadas. A metade norte, mais precisamente os Campos de Cima da Serra, será atendida com o futuro Porto de Arroio do Sal, no norte do Rio Grande do Sul. E temos próximos os portos de Santa Catarina, que auxiliam nessa demanda de exportação, ou então descendo para Rio Grande, onde temos uma capacidade portuária incrível.

O segmento relativo à exportação de cavacos, principalmente de acácia, e agora também de eucalipto, é bastante pujante, principalmente pelas empresas Tanac e Seta. A indústria de pellets também está em expansão em nossa região, tanto para exportação como para o consumo interno. Na cidade de Rio Grande está o maior polo de fertilizantes da América Latina e esta produção consome muita energia térmica que é gerada com cavaco.  Então nós temos aí um grande consumo em um cenário positivo para os produtos florestais.

A parte de resina de pinus, a goma resina, também está em franca expansão, com duas empresas de grande porte, que são a Ambar e a RB Resinas, instaladas em Rio Grande. E agora estamos com a instalação da AS Sul Resinas, na cidade de Capão do Leão, ao lado de Pelotas. Essa empresa será então uma terceira unidade na região para compra e processamento de resina, tanto para o mercado interno quanto para o mercado externo. Tudo isso traz um grande potencial de expansão para a indústria florestal aqui no Rio Grande do Sul.

Existe infraestrutura logística para atender todo este potencial?

Temos um porto marítimo, que é um dos maiores do Brasil. O Porto de Rio Grande tem capacidade de escoamento de toda essa safra, de toda essa produção de madeira. Temos rodovias que desembocam na zona portuária. São cinco rodovias federais que fazem com que todo o Rio Grande do Sul conflua para Pelotas e de Pelotas para Rio Grande. O Porto de Pelotas é um porto auxiliar de extrema importância. Hoje, toda a produção de madeira da CMPC, na metade sul do estado, é transportada por rodovia até o Porto de Pelotas. Essa madeira é embarcada em barcaças e levada até Guaíba, para a fábrica da CMPC. Essas mesmas barcaças trazem a celulose pronta para o Porto de Rio Grande e, novamente, retorna com toras. Esta operação tira algo em torno de 130 carretas por dia da BR-116, no trecho entre Pelotas e Guaíba.

Outro ponto positivo é a hidrovia do Mercosul, que está sendo trabalhada pelo Uruguai e pelo Brasil. Ela começa na Lagoa Mirim, no lado uruguaio, vem até Pelotas onde está o canal São Gonçalo, que une a Lagoa Mirim com a Lagoa dos Patos, e de Pelotas ela sobe passando pelos rios Jacuí e Taquari. Então, nós temos uma quantidade imensa de hidrovias dentro do Rio Grande do Sul. Acredito que sejam mais de 800 km de hidrovias, que inclusive, adentram ao Uruguai. Pode ser um corredor para toda a produção de florestas de eucalipto nesta parte nordeste do Uruguai. Pelas informações do embaixador do Uruguai, são 200 mil hectares de eucalipto nesta região, que teriam muito mais facilidade de alimentar uma indústria no Brasil do que serem levadas para as indústrias que ficam às margens do Rio da Prata. É outro aspecto muito positivo, que pode alavancar a indústria da madeira no Rio Grande do Sul. Estamos trabalhando nisso e o senador Luis Carlos Heinze é um entusiasta desse projeto.

 

Como são as condições para desenvolvimento de florestas plantadas no Rio Grande do Sul e como está a disponibilidade de terras para implantação florestal?

A metade sul do Rio Grande do Sul, assim como Uruguai e norte da Argentina, é a melhor região do planeta para plantio de florestas comerciais. Pelas condições de clima, de solo, de água e de sol. Nós temos que aproveitar esse grande potencial da metade sul do estado. A metade norte está ocupada com soja, então não há como querer plantar florestas lá, por causa do custo das terras. Mas na metade sul o custo é relativamente atrativo. Onde nós temos terras dobradas que permitem plantio de florestas, mas inibem o plantio mecanizado de outras lavouras de ciclo curto, como soja e milho. Então estes são pontos importantes que elevam o potencial do plantio florestal no Rio Grande do Sul.