18º Seminário de Colheita e Transporte de Madeira, um dos mais tradicionais eventos técnicos do setor florestal brasileiro, abordou o estado atual da colheita e apontou as principais tendências para o futuro do segmento.

 

Com 40 anos de história e 18 edições, o Seminário de Atualização em Sistemas de Colheita de Madeira e Transporte Florestal é o mais tradicional evento técnico do setor brasileiro de florestas plantadas. Ao longo de sua história, o evento vem crescendo e ganhando cada vez mais relevância no cenário nacional e internacional como um dos grandes palcos de discussão acerca das principais tendências, novidades e tecnologias para colheita e transporte de madeira.

Contando com renomados palestrantes brasileiros e estrangeiros, a 18ª edição do evento – agora simplesmente Seminário de Colheita e Transporte de Madeira – reuniu cerca de 500 profissionais no Centro de Eventos RibeirãoShopping, em Ribeirão Preto (SP), para dois dias de palestras divididas em quatro blocos temáticos principais: Gestão de Processos, Logística, Novas Tecnologias e Cadeia Produtiva da Madeira. A seguir, confira em detalhes as principais tendências para a colheita e transporte de madeira apontadas ao longo dos quatro blocos do evento.

Gestão de Processos

O primeiro palestrante do Seminário, Germano Aguiar, diretor florestal da Eldorado Brasil, deu início às discussões do evento técnico discorrendo sobre a “Diversificação de Sistemas de Colheita e suas Interrelações no Processo Produtivo”. Aguiar analisou os sistemas de colheita de madeira (CTL, Full Tree, Tree Length e Whole Tree) e abordou em detalhes o Projeto Evolution da Eldorado, que buscou alternativas de equipamentos e sistemas de colheita que possibilitassem uma redução de custo em 20% – envolvendo no processo as principais fabricantes de equipamentos de colheita.

De acordo com Aguiar, o corte com harvester de pneu seguido de harvester de esteira apresentaram melhores resultados, enquanto no baldeio há possibilidade de ganhos em produtividade com equipamentos de maior capacidade (forwarder, caminhão, carreta). A maior possibilidade de redução de despesas de capital é encontrada na utilização de carretas florestais, mas há necessidade de validação da vida útil dos equipamentos e custo de manutenção. Como resultado do Projeto Evolution, em 2018, 25% da colheita da Eldorado utilizará o sistema harvester de esteira + carreta florestal.

Em seguida, John Garland, professor emérito da Oregon State University, abordou as principais discussões atuais acerca da “Segurança Operacional em Áreas Declivosas”. O pesquisador destacou, por exemplo, a rápida expansão dos sistemas de ancoragem (como o uso de guinchos florestais) para colheita de madeira nos Estados Unidos, o que contribuiu para uma grande redução no número e na gravidade dos acidentes no estado do Oregon. Segundo Garland, os pesquisadores estão trabalhando com quatro objetivos em mente: demonstrar novos sistemas mecanizados de colheita com a colaboração da indústria; analisar as respostas práticas e fisiológicas dos operadores durante a operação; desenvolver orientações e critérios para o design de novos sistemas de colheita; e educar os profissionais envolvidos no segmento.

“O desafio é que novos sistemas sempre trazem novas perguntas: são mais seguros? Trazem novos riscos à segurança? São tecnologicamente e economicamente viáveis? Quais são os requerimentos para o treinamento? São ambientalmente aceitáveis?”, disse o palestrante.

O próximo profissional a falar foi Daniel Moraes Pessoa, especialista de processos de negócio e tecnologia da Duratex, que discutiu o “Uso da Mobilidade na Gestão de Manutenção Mecânica”. O profissional destacou as últimas inovações tecnológicas implementadas na Duratex, como o uso do sobrevoo de drones na colheita e silvicultura para antecipação e previsão de eventos e a implementação de plataformas móveis para utilização de ferramentas de Business Intelligence e Analytics, visando atingir o patamar tecnológico apontado como Florestal 4.0.

“Temos que fazer cada vez mais com menos. Estamos evoluindo cada vez mais para simplificar e agilizar processos. Nossos colaboradores estão mudando, exigem mais tecnologias e avanços, e é isso que buscamos fazer”, afirmou.

A quarta palestra do primeiro bloco, “Operadores para Máquinas e Implementos: Treinamento, Aperfeiçoamento e Avaliações”, foi ministrada por Bruno Fernandes, coordenador de colheita florestal da Cenibra. O profissional falou sobre a realidade atual da Cenibra e como os investimentos em simuladores virtuais e treinamentos operacionais de campo resultaram em um case de aperfeiçoamento profissional de sucesso.

“O que se espera de um operador para chegar em alta performance operacional é: comportamento seguro; bom relacionamento interpessoal; visão de processo (precisa conhecer o impacto de seu trabalho); maior cuidado com o equipamento; alta produtividade; e melhor utilização do tempo produtivo do equipamento”, definiu.

Já o último palestrante do bloco, Marcelo Acioli, gerente florestal Brasil e Paraguai da ADM, enumerou os pontos centrais para “Qualidade e Valor na Produção de Biomassa.

Conforme destacou em sua fala, os objetivos devem ser: custo cavaco posto fábrica menor que o comprado no mercado; qualidade do cavaco melhor que o entregue pelo mercado; garantir suprimento e cadência diária ao longo de todo o ano; reduzir capital investido ao menor nível possível; e manter todas as operações florestais alinhadas à filosofia da empresa.

 

Logística

Tomás Balistiero, gerente geral de operações florestais da Fibria em Mato Grosso do Sul, abriu o bloco Logística trazendo as tendências para “Sistemas de Monitoramento Online de Máquinas e Equipamentos”. “Nosso principal desafio é: Como gerenciar operações e atingir resultados extraordinários?” indagou aos participantes.

Ao detalhar as tecnologias utilizadas atualmente pela Fibria (computadores de bordo, apontamento eletrônico, GPS, drones, câmeras on-board, sistemas para gestão de frota, telemetria etc.), Balistiero demonstrou uma possível solução para sua própria pergunta: quando corretamente empregadas, os sistemas digitais de monitoramento auxiliam grandemente na tomada de decisões, aumento da produtividade e redução de custos operacionais.  Ainda, grande desenvolvimento está por vir nos ramos da robótica, inteligência artificial, Big Data e mais.

Em seguida, Hermesson Nardino, gerente de operações na JSL, discorreu sobre “Avanços Tecnológicos no Transporte de Madeira”. Apresentando um case de projeto da JSL, o profissional falou sobre o uso de tecnologias como sistemas de telemetria e evolução dos implementos utilizados no transporte, com grandes ganhos para o segmento, mas também apontou desafios como a necessidade de se equilibrar a redução de tara com resistência estrutural e a qualificação e treinamento da mão de obra de manutenção, operadores de carregamento e descarga.

O tema “Colheita Florestal em Pequenas e Médias Propriedades” ficou por conta de Fabiano Stein, gerente de suprimento de madeira na Veracel. Stein discutiu a reestruturação da empresa face às propriedades adquiridas recentemente, com plantios em áreas declivosas. Os desafios superados incluem a reestruturação da frota de máquinas da companhia, retreinamento das equipes de campo e mudanças estruturais no planejamento. De acordo com o palestrante, o foco principal dessas mudançås foi na segurança da operação e maior direcionamento nas ações do operador, visando ao mínimo possível de perda de produção nas operações.
Altair Negrello Jr., gerente de produção de madeira na Klabin, palestrou sobre “Otimização e Planejamento na Logística de Abastecimento Florestal”. “O planejamento deve olhar para o sistema como um todo: colheita, estradas, transporte, ambiência, comercialização e silvicultura. Quanto maior a complexidade das operações, maior a necessidade de respostas rápidas. Quanto mais próxima à realidade, ou seja, nos níveis semanal e mensal, mais complexa a modelagem. Não há um bom planejamento quando este não pode ser executado ou é difícil de pôr em prática”, enfatizou.

“Otimização de Estradas Florestais para Sistemas de Colheita Florestal” foi o último tema do bloco, explorado por John Sessions, professor de silvicultura e presidente da gestão de operações florestais na Oregon State University. Com grande aprofundamento técnico, o pesquisador trouxe como principais pontos de discussão otimização de estradas em relevo plano, otimização de estradas em relevo montanhoso, estratégias de desbaste e otimização de revestimento da pista de rolamento. “Modelos qualitativos podem ser de utilidade para a sua operação. Se os modelos quantitativos não correspondem à realidade atual, é importante procurar o porquê”, concluiu.

 

Novas Tecnologias

O uso de tecnologias de ponta para colheita de madeira é sempre um ponto de discussão entre os profissionais do setor, e por isso rendeu seu próprio ciclo de palestras. Logo de início, o sul-africano Andrew McEwan, diretor geral da CMO International, trouxe uma visão mundial para o tema “Tendências Globais para Máquinas e Equipamentos para Colheita de Madeira”.

Em sua palestra, McEwan indicou alguns dos principais fatores que influenciarão o desenvolvimento das florestas do futuro: o tipo e natureza do proprietário florestal; mudança na demanda por produtos florestais novos e diferentes; fatores ligados às mudanças climáticas (biomassa para energia, mercado de créditos de carbono); serviços para ecossistemas; e as certificações de sustentabilidade para florestas plantadas. Esses fatores, segundo o palestrante, afetarão o próprio desenvolvimento das florestas e as tecnologias que precisarão ser desenvolvidas para elas.

A internacionalização do evento continuou com a palestra de Oliver Thees, líder do grupo de pesquisa “Sistemas de produção florestal” no Instituto Federal de Pesquisa Suíço WSL. Comentando sobre “Colheita de Madeira em Área Declivosas”, com foco nas recentes tecnologias empregadas na Suíça, Thees apresentou o case do país e concluiu com os desafios futuros: aceitação social da produção de madeira; aumento nas demandas de serviços ambientais; maior redução de custos no gerenciamento de florestas; novos modelos de financiamento; e adaptação da colheita de madeira às mudanças climáticas.

Apontando uma interessante tendência, Rodrigo Zagonel, gerente de silvicultura e viveiro ES/BA da Fibria, investigou os “Avanços da Mecanização da Silvicultura e sua Integração com a Colheita de Madeira”. “Com esses avanços, teremos gestão de alta performance, telemática e inteligência artificial, veículos autônomos, HET – Human Enhancement Technologies e robotização das operações de colheita”, disse Zagonel.

Já a fala do canadense Doug Jones, vice-presidente sênior da Remsoft Inc., intitulada “Otimizando a Cadeia Florestal: Planejando o processo de colheita e entrega”, trouxe os benefícios de se otimizar o gerenciamento das variáveis da cadeia produtiva com o auxílio da tecnologia: inventários menores e entrega just-in-time; custos menores de colheita com a opção otimizada pelo sistema de colheita; custos menores de transporte; aumento de valor e de lucro para vendas externas; redução no tempo de planejamento e análise de cenários.

Para fechar o bloco, Richard Mendes Dal Aqua, gerente de geoprocessamento e cadastro florestal da Suzano, pronunciou-se sobre o “Uso de Drones como Ferramenta para o Microplanejamento”. Segundo o palestrante, longe de serem tecnologias de um futuro distante, os drones e VANTs já são realidade no setor florestal, tanto na silvicultura quanto no planejamento da colheita – e devem permanecer crescendo no mercado.

Escrito por Luciano Simão